Terça-feira 10 Janeiro 2012

Various Positions


Uma sala, duas janelas, uma lareira, uma garrafa de tinto e um copo… meio-cheio, meio-vazio. Various Positions a tocar… Um leque de pensamentos, uma quente nostalgia. Um turbilhão de sentimentos, a calma e o silêncio penetrante da doce voz de Leonard a ecoar.
Leonard Cohen, um senhor de 77 anos no activo, merecedor de todo o respeito, é também autor de romances e de livros de poesia. Não é para menos, até porque as suas músicas são o espelho disso, uma junção de bondade, de amor, de um poeta incrivelmente expressivo.
Do folk ao rock, da música para o mundo, Various Positions é o sétimo álbum da sua longa carreira, um clássico marcante onde podemos encontrar Dance Me To The End Of Love – uma das músicas com que Cohen abriu a maioria dos seus concertos, extraordinariamente bonita e muito fácil de se interiorizar; Coming Back To You – que, para mim, é uma das melhores músicas, reflectindo o orgulho de (não) voltar, em torno de uma vida que nos traz e vai continuar a trazer amores e desamores; Night Comes On – que fala da necessidade de não ter nada para tocar, a necessidade de sentir o vazio, o nada; Hallelujah – que muitos não sabem que foi escrita por este senhor, embora tenha sido também tocada por um infindável número de músicos como por exemplo John Cale, Jeff Buckley e por Bob Dylan, um clássico com pouco para escrever mas com muito para sentir; Heart With No Companion – que, como o próprio título indica, fala-nos da solidão, de um coração sem compaixão e sem companhia – “um coração que não consegue dançar para nada”. Para mim, são as melhores faixas que podemos retirar deste álbum de 1984.
Críptico, repousante, difícil de interpretar e de uma arte espartana, é um dos melhores álbuns de Leonard Cohen. 35 minutos de paixão e de harmonia. Um achado impreterível de se ouvir – afinal de contas, estamos perante a subtil arte de um Cavalheiro das Trevas.