Terça-feira 21 Maio 2013

Unknown Pleasures


Sabe-se, ao longe, distinguir a voz de Ian Curtis, de mais uma lenda do rock que fora encurralada no seu próprio prazer. São mais que óbvias as experiências e os sentimentos traduzidos nas letras epilépticas, um clássico fora do tempo e do lugar.  Dez músicas simples, um post-punk atmosférico e em slow motion, tal como se as músicas fossem arrancadas de sons do dia-a-dia e de momentos estáticos, fluindo sob a voz arrepiante de Ian.
Não é para todos nem para qualquer um. Há que saber apreciar este tipo de música de um período todo ele feito de obras primas. Não se trata do aqui e do agora, mas sim do saber ver além. Ian Curtis é a metáfora do inconsciente, dos demônios interiores e dos pensamentos repentinos, escrevendo e cantando uma realidade incontrolável, melódica e estranhamente depressiva. Mentalidades de parte, da música pouco se pode falar. Quando se transparece de tal maneira todo o interior em notas e em linhas melódicas a abarrotar de sentimento, o registo só pode ser bom. Se há discos que têm paixão são estes, destas lendas que deixaram bem cedo a vida, por motivos estúpidos ou cheios de razão, por loucura ou por lucidez. Afinal de contas, não temos todos um pouco de loucura? Não será a loucura o nosso maior triunfo?
Cantado, falado e berrado, traz-nos uma visão hipnótica de outro mundo. Aliado à guitarra de Dicken, à melodia única do baixo de Peter Hook e à combinação do acústico com o electrónico nas batidas de Morris, surge então uma mistura de solidão, paranoia e de introspeção, abraçando o espaço e a imensidão vazia que os separa de muitas outras bandas ditas “normais”. E o que é normal, perguntam vocês? Não sei, mas é tudo aquilo que não se encaixa neste pedaço de história.

Músicas obrigatórias:
Disorder
She’s Lost Control
Interzone