Terça-feira 15 Novembro 2011

Strange Days


Repleto de músicas descomprometidas e provocadoras, Strange Days, o segundo álbum dos The Doors, surge como revelador das capacidades musicais e de escrita de Jim Morrison. Com letras e poemas eloquentes, a sua voz doce e afável e a sua postura inquietante e petrificante não se podia esperar menos. Eis que se cria assim uma espécie de culto em torno da banda de Los Angeles, formada em meados de 1965.
Dois anos depois, um período poderosíssimo da música rock que nos contemplou com álbuns geniais como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles, Surrealistic Pillow de Jefferson Airplane, Are You Experienced? do tão carismático Jimi Hendrix, Highway 61 Rivisited de Bob Dylan, My Generation dos The Who, entre outros, brindam-nos com uma junção de blues e psicadélico, entre o clássico e o jazz, numa dimensão de crises existenciais e obscurantismo, inspiradas na tradição do romantismo – haverá alguém mais sentimentalista que Jim Morrison? – não creio.
Músicas como Strange Days, Love Me Two Times, Moonlight Drive, People Are Strange e When The Music’s Over fazem parte desta obra musical e poética, sendo a última uma ode à genialidade de Morrison, tendo-a escrito antes da formação da banda.
Maduro e mais consistente que o primeiro álbum, lançado no mesmo ano, evoca sentimentos depressivos e profundos, o lado mais escuro que os Doors nos podiam oferecer. Talvez primem pela simplicidade e ao mesmo tempo pelo requinte dos solos de Krieger em confluência com os harmoniosos sons despretensiosamente jazzísticos e invulgares de Manzarek e pelo drama característico e necessário de Mr. Mojo Risin’.
Servindo de inspiração para muitos artistas (Iggy Pop, Trent Reznor, Eddie Vedder, Billy Idol), também o próprio Jim teve as suas influências. Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire, dois simbolistas franceses que estiveram presentes na inspiração da escrita das letras de Strange Days e em toda a sua vida.
Um álbum obrigatório de se ter em casa, de se ouvir à lareira em contraste com a tempestade, numa alegoria de angústias inconscientemente sadias.