Segunda-feira 15 Abril 2013

Pano-Cru


Podemos falar em música popular portuguesa e em música de intervenção. Podemos falar de um poeta e de um cantor. Falemos de tudo isto e de coração.
Pano-Cru, um dos álbuns que dá luz à música portuguesa remete-nos à década de 70,  tempo esse em que inúmeras bandas saíram da garagem e deram ao mundo um motivo para sorrir. Tempos de revoluções e de crises mundiais, tempos de ideias e reflexões, tempos onde se esteve “bem no silêncio e no borborinho” e se beberam “as certezas num copo de vinho”.
O Primeiro Dia (do resto da tua vida) dá-nos um piano que se transforma em pensamento por entre as palavras poéticas de Godinho. Uma canção para o mundo.  Uma intervenção de letras. Balada da Rita embrulha-nos num dedilhar de dor, onde o amor se perpetua nas cordas de uma guitarra chorada e “o coração que o conte quantas vezes já bateu para nada.”
Venho aqui falar e Lá isso é demonstram a alegria da música popular portuguesa, em metáforas de tradições e rotinas do quotidiano, em ritmos folclóricos e letras faladas.  Feiticeira e  2º Andar, direito são paradigmas de momentos em alegorias de limites de vida, de contar coisas e falar de coisas, como quem fala de amor e das incertezas do dia-a-dia.
Para Sérgio Godinho é isso mesmo, são “contos de um instante”. É o saber olhar e interpretar… e guardar em si todo um pormenor que faz a diferença na melodia.