Segunda-feira 28 Janeiro 2013

Nevermind


Nirvana apela aos bons velhos tempos do rock and roll. Um clássico de camisa aos quadrados e botas de cordões, cabelos compridos e distorções eléctricas aliadas a um sentimento mais negro e dissonante. Nevermind é um pedaço de tempo na história da música, uma linha que cruzou o rock alternativo com o som de Seattle e as pesadas distorções com as melodias que transparecem do coração de Kurt.
Smells Like Teen Spirit foi o primeiro single deste álbum e o mais conhecido por entre os grungers e amantes da banda. Ouvindo-o hoje, podemos dizer que não é um álbum que traga algo inovador ao mundo da música, mas analisando o panorama musical da época vemos que estas guitarradas rasgadas e refrões pesados não faziam parte da cultura. Trouxe um estilo que se alongou a muitas outras bandas como Pearl Jam ou Stone Temple Pilots e a muitas outras culturas e idades.
In Bloom antecede Come As You Are, mais um êxito por entre tantos, onde podemos ouvir a dor no tom da sua voz e a raiva dos seus demónios. Breed alia o rock ao punk e Lithium, uma música estranhamente alegre e viciante, transporta-nos além da atmosfera negra que abrange o álbum. Em parte, todo ele é um reflexo dos problemas de Kurt, subjacente no lirismo triste e na melodia depressiva e continuada a cada música que passa.
Polly é das minhas favoritas e são poucos os que apreciam esta balada. A complexidade não é coisa que se encontre por estes lados, mas também não é necessariamente precisa para que se aprecie um bom álbum. Admiro a simplicidade patente nestas melodias e, certamente, foi isso que fez com que Nirvana se tornasse comum na cultura dos mais novos.
Drain You e Stay Away são das melhores e mais pesadas, para serem ouvidas com as colunas no máximo. Não é metal, não é punk nem pop… é Nirvana. E distingue-se pela loucura de Cobain, pelo poder de Grohl e pela garra de Novoselic.
Para quem o conhece do inicio ao fim, sabe que não se trata de um prodígio. É um álbum simples em todos os sentidos. No ouvido, no instrumental e nas letras. Forte nas batidas, com uma linha de baixo marcante e uma guitarra intimidante. Repleto de dor e sentimento, carrega a faceta de um vocalista depressivo e perturbado que deixou bem presente os seus valores.