Terça-feira 13 Dezembro 2011

Mellon Collie and The Infinite Sadness


Esta semana escolhi revisitar o Mellon Collie and The Infinite Sadness, álbum que os Smashing Pumpkins lançaram no final do ano de 1995. O momento até é simbólico uma vez que os mesmos passaram esta semana transacta por Portugal para um duplo concerto no Campo Pequeno.
O álbum continha dois discos e foi gravado no auge da mítica banda, liderada por Billy Corgan na voz, com James Iha na guitarra, a senhora D’arcy Wretzky no baixo, e o excepcional baterista Jimmy Chamberlin, sensivelmente dois anos depois do lançamento do anterior bem sucedido Siamese Dream.
Foi, de facto, uma viagem no tempo de grande peso emocional, regressar ao início da minha adolescência e ouvir este álbum novamente. Relembro perfeitamente sentar-me no chão da sala, colocar-me em frente da minha grande aparelhagem Radiola e apreciar desde logo o belíssimo grafismo do álbum que claramente já explodia melancolia, uma infinita tristeza, mas também uma ilimitada dose de sonho.
Colocava no leitor o CD1, intitulado “Dawn to Dusk” e a primeira faixa, que dá nome ao álbum, era um belíssimo instrumental que marcava o início da minha épica viagem por aquele mundo de dualidades, onde a força e a fraqueza, o riso e a lágrima co-habitavam.
Seguiam-se músicas de indubitável qualidade e autênticos marcos da história da música dos anos 90, como são exemplo disso a Tonight, Tonight, Zero, Bullet with Butterfly Wings, To Forgive, Galapogos! “Dawn to Dusk” terminava com a décima quarta faixa. Take Me Down era uma calma e bela descida como se pousássemos na voz de Corgan e ele nos levasse ao fim que não era fim.
Acaba o som, o CD terminava e quase sem fôlego e um grande nó na garganta respirava bem fundo sem que conseguisse na realidade a entrada de oxigénio! “Uau…!” – pensava eu.
Inseria o CD2, “Twilight to Starlight” e iniciava-se a segunda parte do espectáculo  com mais quatorze temas. Abre com Where Boys Fear to Tread, passando novamente por temas míticos como Thirty-ThreeIn the Arms of Sleep, o estrondoso 1979, Thru the Eyes of Ruby, Stumbleine, X.Y.U ou We Only Come Out at Night.
A viagem termina com Farewell and Goodnight que ambiguamente fecha o álbum numa curiosa alusão ao início de um sono de sonho, remetendo-nos para um fim que nunca chega, tornando este álbum tão belo quanto infinito e intemporal.
Todos temos um amigo super-doido por uma banda e, nos anos seguintes, conheci o Dinis, um grande amigo que era precisamente super fã dos Smashing Pumpkins. Foram muitas as tardes de fim-de-semana que um especial grupo de amigos passava na sua sala-de-estar a ouvir este e outros grandes álbuns desta banda magnífica. Tempos saudosos, finitos, mas que se tornam sempre eternos na nossa memória através da música.
Em 1995, Mellon Collie and the Infinite Sadness, foi o álbum do ano para a revista TIME e está em várias tabelas e para vários críticos como dos melhores álbuns de sempre.
Hoje ainda me pergunto como é que uma banda foi capaz de fazer um duplo álbum, com 28 músicas fantásticas, sem que, uma que seja, fosse realmente fraca!