Sexta-feira 25 Maio 2012

La Toilette des Étoiles


É provavelmente a banda portuguesa mais injustamente esquecida, ou ignorada. Pouco se fala dela e raramente passa na Radio, mas isso em nada lhe diminui o valor.
Com JP Simões ao volante, os Belle Chase Hotel eram, como o próprio afirmou mais tarde, ‘uma máquina movida a álcool’. Não será de estranhar, portanto, que La Toilette des Étoiles ecoe a ressacas espirituosas. Fossem todas assim…
Lançado no ano 2000, este segundo álbum do coletivo (de nove elementos) resulta numa confluência de estilos nitidamente pós-moderna, onde sonoridades tão díspares como o Jazz e o Tango, a Bossa Nova e o Rock convivem harmoniosamente. As letras (de elevada qualidade literária) não se ficam pelo português. Também com mestria se canta em inglês e francês – uma simbiose estranha, à partida, – mas que resulta num quadro perfeito.
La Toilette des Étoiles é um álbum simultaneamente alegre e melancólico, boémio e (quase) pessimista. Ora se passeia entre citações literárias ora se espraia num divã de psicanálise, sob uma nuvem de fumo de cigarros. Ora se debatem questões do espírito ora se arrisca mais um drinque.
Não sendo propriamente uma antiguidade (e muito menos uma velharia), este álbum é uma predestinação condenada às relíquias do futuro, particularmente quando os ismos forem outros e o clamor se lembrar de pedir referências pós-modernas. Mas não lamentemos mais a parca visibilidade que lhe é dada – é sabido que por onde a turba passa, as flores mal crescem…