Quinta-feira 01 Março 2012

King for a day… Fool for a Lifetime


Um regresso ao contemporâneo numa palete de alternativo, metal, rock, experimental, jazz, funk e até bossa nova num único álbum. É assim que os Faith no More nos apresentam o seu quinto trabalho, de 1995.
Começa com Get Out, no intermédio de um punk-metalizado, expresso num riff simples e invulgar numa junção de uma batida armadilhada, sendo notável num álbum com tantas musicalidades diferentes.
Ricochet demonstra-nos que a banda sabe perfeitamente dar uso aos espaços em branco que ficam sempre por entre as melodias dos diferentes instrumentos, sendo uma música que viaja através da constante distorção dando poder aos acordes mais simples, sendo capaz de rasgar um sorriso a todos os mais ásperos, nem que seja pela repetição constante do refrão: it’s always funny until someone gets hurt and then it’s just hilarious!
Evidence, a minha favorita do álbum, é a precisão da construção de uma faixa envolta num perfeito smooth. O baixo subtil de Billy Gould, a doçura nos teclados e a batida de jazz e de blues de Bordin encaixam modelarmente na voz mágica de Patton, transformando-a numa suavidade melódica de se ouvir e de sentir, vezes sem conta.
The Gentle Art of Making Enemy contrasta plenamente com a música anterior, sendo mais voltada para um rock mais pesado, rolando sob um metal delicioso e satisfatório e Star A.D. é um retorno aos elementos jazísticos, relembrando as festas, as trompetes, repleta de bons arranjos vocais, aliada à compreensão de um humor inteligente patente na letra.
Caralho Voador, uma melodia entre o negro e o bossa nova, onde Patton vai sussurrando a letra, traduz a vida de um indivíduo que não tem mais nada para além de um carro, com um verso inteiramente dedicado ao Português. Ugly in the Morning traz de volta o metal, liderada por batidas tribais na bateria e um baixo rítmico, onde podemos ver que a voz de Mike é ricamente desdobrável, sendo completamente mutável e ajustável a qualquer tipo de música.
Digging the Grave, um dos maiores singles de King for a day… Fool for a Lifetime, traduz-se numa faixa de um rock bastante genuíno, marcadamente dos anos 90.
The Last to Know é mais voltada para a distribuição da voz de Mike Patton, sendo mais uma música calma, bonita e fácil de se ouvir, demonstrando a boa adequação da escrita da letra.
Os Faith No More sempre me surpreenderam, não só pela genialidade e versatilidade em compor músicas, como também na perfeição melódica com que estas se encaixam em vários momentos do dia-a-dia, não falando da peculiar e fantástica voz de Mike Patton e do empenho/profissionalismo da banda.