Terça-feira 17 Janeiro 2012

Hunky Dory


Eis o Camaleão do rock, o senhor do glam rock, de um rock mais artístico, de um pop rock, de um assim dizer blue-eyed soul. Mais conhecido aquando o lançamento da Space Oddity, já tinha antes editado o álbum com o seu nome, em 1967. Hunky Dory, datado de 1971, presenteia-nos diversas músicas já conhecidas da sua panóplia musical, desde Changes, Oh! You Pretty Things, a tão carismática Life on Mars?, Quick Sand, o tributo ao senhor da pop art, auto-intitulada de Andy Warhol, a homenagem a um ilustre do rock – Song for Bob Dylan e Queen Bitch dedicada aos Velvet Underground, numa junção rock and roll, glam e folk.
Mr. Bowie, um senhor prestigioso e contemporâneo, com uma imaginação fora do comum, demarcado na cultura popular de outrora e da actualidade, desdobra-se em personagens já conhecidas da sua carreira e na sua apresentação visual: Ziggy Stardust, espelho do sucesso de Starman e do álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, fusão da personalidade de Iggy Pop e da musicalidade de Lou Reed e Thin White Duke, reveladora de misticismo e nazismo, a par do lançamento do álbum Station to Station.
Influenciado e influenciador, esteve sempre a par de novos estilos de música, passando até pelo industrial, pelo drum and bass e pelo adult contemporany, aliado a movimentos de libertação e de independência, sempre contrastando com a sua experiência e habilidade – afinal de contas, não é conhecido apenas pela carismática maneira de cantar ou pela sua voz característica e distinta – toca guitarra, piano, bateria, harmónica, xilofone e também saxofone.
Hunky Dory leva-nos numa viagem astronómica pelo tempo e pelo espaço da música – um turbilhão de imaginação, um doce incendiar de paixão – remetendo-nos numa escala de aspiração e de ambição. Este álbum demonstra-nos a sua capacidade de ouvir o público, sendo um tributo a muitas das suas influências. É um álbum perfeitamente equilibrado, onde Bowie cimentou a sua posição de um estonteante músico-escritor, repleto de modos de sentir e de pensar, uma palete de diferentes sons e melodias de alguém que escreveu uma das melhores músicas que ouvi até hoje. Life on Mars? é sem dúvida o retrato de uma dramática e épica história de vida, a obra-prima de um artista completo.