Segunda-feira 31 Outubro 2011

The Wall


“Mãe, será que devo construir o muro?”

The Wall é o décimo primeiro álbum de estúdio dos ingleses Pink Floyd e a minha escolha para inaugurar a secção “Time Machine”. Optei por este álbum por ser um dos melhores que já ouvi até aos dias de hoje e mesmo datando de 1979, é extremamente actual e retrata importantes aspectos da realidade dos dias de hoje, como por exemplo o abandono e a solidão.
Todos nós, “floydianos”, movemo-nos pela calma da voz de Waters, pelos estonteantes solos de guitarra de Gilmour e pela incrível capacidade de conseguirem demonstrar sentimentos nas suas músicas.
Mais do que qualquer outra banda, têm a possibilidade de se envolverem com as letras e o The Wall é um grande exemplo desse envolvimento único alcançado pelos Pink Floyd. Este álbum trouxe-nos uma abertura para uma outra realidade musical, uma ópera de rock, cuja história se baseia numa personagem fictícia criada por Roger Waters – Pink. Tudo começou em 1977, durante a tour do Animals, quando Waters cuspiu na cara de um fã que estava a ter um comportamento inapropriado, surgindo-lhe a ideia de estabelecer uma barreira entre o palco e o público, com o sentido de retratar o isolamento da sociedade, refugiando-se num mundo por ele criado.
Composto por 2 cd’s, está subdivido em 4 actos diferentes, sendo o primeiro iniciado pela belíssima In the Flesh?, seguida de The Thin Ice, Another Brick in The Wall (primeira parte), interrompida pela The Happiest Days of Our Lives, Another Brick in the Wall (segunda parte) e a épica Mother, na qual Roger surge com uma guitarra acústica numa harmonia limpa, cativante e envolvente.
O segundo acto é composto pela Goodbye Blue Sky, Empty Spaces, Young Lust, One of My Turns, Don’t Leave Me Now, Another Brick in the Wall (terceira parte) e Goodbye Cruel World que faz ligação com a Hey You, primeira música do terceiro acto, seguida de Is There Anybody Out There?, Nobody Home, onde Roger surge numa pequena sala, com um candeeiro, sentado numa poltrona, consciente da solidão que o rodeia. Seguem-se Vera, Bring the Boys Back Home e a estonteante Comfortably Numb, com um solo que nos permite desabafar e voar sob as preocupações.
A última parte começa com The Show Must Go On, Waiting for the Worms, Stop, The Trial e a Outside the Wall, como um pequeno protesto contra os ideais pré-estabelecidos pelos ditos “senhores do mundo”.
The Wall é um marco na história da música, não só por deixar que as pessoas se envolvam totalmente ao ouvi-lo, como também por transmitir uma aspiração bastante importante: a de não ser necessário o isolamento do mundo para conseguir mudá-lo, mas sim purificando todo o nosso ser de forma a seguirmos em frente. O ideal é quebrar cada tijolo que vá aparecendo no dia-a-dia, com o intuito de não deixar criar um muro à volta da nossa mente.