Quarta-feira 28 Março 2012

Dirt


Não podemos falar em grunge ou no som de Seattle sem mencionar Alice in Chains, The Melvins, Stone Temple Pilots ou Nirvana. A camisa de flanela, as calças de ganga, o look descontraído e desleixado, a angústia e a apatia, o sarcasmo e a desilusão, são todos elementos associados a este estilo de música.
Dirt é um álbum marcante, uma grande obra do grunge dos anos 90, repleto de guitarras de alta distorção, efeitos de fuzz e de feedback, com a rouquidão inconfundível de Layne e batidas não muito complexas mas bonitas de se ouvir aliadas a um baixo depressivo mas muito bem composto.
Jerry Cantrell é também responsável pelo lirismo escuro e deprimente, naquilo que é o reflexo das experiências de Staley, desta feita numa viagem mais virada para o heavy metal, com a excepção de baladas lindíssimas como Down in a Hole.
Them Bones e Dam That River demonstram bem o lado mais pesado da banda e Rain When I Die, das músicas mais marcantes de Alice in Chains patenteia o desespero na sua melhor expressão, por entre sons macabros e apaixonadamente atmosféricos.
Rooster torna-se um clássico e Junkhead é a perfeita forma de música que encaixa num sludge rock, enquanto Staley trabalha arduamente para confrontar os seus demónios em Angry Chair.
Hate to Feel demonstra claramente a focalização de Layne nos vícios e nos problemas que estes causam, sendo uma das melhores músicas que ele acabou por escrever sozinho.
Dirt é o testamento de qualidade de Alice in Chains e o refúgio interior de uma alma que partiu cedo demais, deixando o seu lado negro vencer a vontade e a paixão de um génio comovente.