Quarta-feira 08 Fevereiro 2012

Alligator


Não ronda as grandes décadas da boa música. No entanto, é um dos meus álbuns favoritos de sempre, pelo menos até então. Ouvi-os, pela primeira vez, quando vieram a Lisboa abrir para RATM, no Optimus Alive e desde então fiquei apaixonada pela doce e estonteante voz de Matt Berninger (bem, quem não fica?) e pelo calmo e penetrante instrumental que rodeia essa suave e afincada melodia.
São os donos das baladas, das músicas de fazer pensar. Pelo menos têm em mim esse poder e Alligator traz-nos então uma panóplia soberba de sons arrepiantes, capazes de nos colar às colunas, à alma do sentir, à paixão e melancolia de uma boa balada de um rock meio alternativo e sussurrante.
Secret Meeting é o inicio de um álbum marcante, redentor de diferentes energias e mágico. Lit Up e Looking For Astronauts remetem-nos para o movimento, para a genuidade daquilo que os National sempre foram: ágeis e multifacetados.
Daughters of the Soho Riots é, sem dúvida, a melhor música do álbum, conveniente a moldar-nos num retrato de sossego e de pura melancolia, ao som da nostálgica e angelical voz de Matt, sob um piano que vai contrastando com a ternura de toda uma música quase perfeita.
All the Wine (is all for me), outra balada energicamente forrada que vai aumentando de intensidade, embalando o ouvinte à medida que o prazo vai escasseando.
Abel e Mr. November – separadas por quase dez minutos de mágoa e satisfação, por duas melodias taciturnas e frágeis (The Geese of Beverly Road e Citty Middle) – são o ponto de mudança, a culminância da garra e do poder da banda, sinónimo de paixão e expoente de soberania.
É um álbum de bolso, de estante, de carro, de quase tudo e de muita coisa. Um álbum para se ouvir na cama com as luzes apagadas, com a chuva de fundo ou para se ouvir na esplanada do café a desfrutar de uma bela cerveja, com o sol a raiar. Seja qual for a vontade da pessoa, a banda de Matt Berninger é um marco na história da música rock e de quem gosta de sentir… e o concerto no Coliseu do Porto foi a prova viva disso mesmo – lotado, esgotado, repleto… de pessoas vibrantes, comovidas e saciadíssimas em luta constante com o tempo.