Quarta-feira 12 Dezembro 2012

10, 000 Days


Não podemos falar apenas em metal progressivo ou em metal alternativo. TOOL é isso e muito mais. TOOL é arte e, para mim, não cabe dentro de nenhum género musical. O líder Maynard desenhou a linha que os define através de uma arte negra e visualmente marcante, longa e desesperadamente viciante.
Este álbum de 2006 lançou a música que me fez gostar de Tool. Lançou a primeira música que rodou no meu iPod vezes sem conta, acompanhando-me naquele duro percurso casa-faculdade, faculdade-casa, por entre as filas de espera no metro e o frio que se arrastava pelas ruas do Porto.
Vicarious leva-nos a um mundo complexo e culturalmente intenso. Jambi, uma panóplia de notas e instrumentos que aglomerados formam uma das melhores músicas que ouvi até aos dias de hoje! É uma música como esta que faz valer a pena a longa espera de 5 anos por um álbum… e mais não digo. Ouçam!
Wings for Marie e 10,000 Days fizeram com que este álbum fosse especialmente melancólico. Uma ode perfeita a alguém muito especial. Complementam-se da melhor maneira e proporcionam 20 minutos mágicos de um metal expressivo. Para mim, são estas faixas de longa-duração que demonstram verdadeiramente o trabalho destes mestres.
The Pot é talvez das mais conhecidas. Destaca-se pelos excelentes riffs e batidas rítmicas e por uma linha de baixo potentíssima. Já Lipan Counjuring demonstra o contrário. Talvez um devaneio de Maynard, talvez um ponto de vista que queira mostrar ao mundo. Talvez…
Lost Keys apela pela excelente introdução, um aspecto delicioso em quase todas as músicas e Rosetta Stoned impõe um metal duro e pesado, trazendo consigo um final surpreendente ao álbum. Estranha mas muito fácil de entranhar, é digna de um instrumental de salivar e de uma letra completamente à moda do mestre.
Right in Two colmata um álbum que nos transmite um período de tristeza e de mágoa. 10 000 dias de sofrimento traduzidos em música. 10 000 dias de sentimento traduzidos em palavras. 10 000 dias de amor e de dor. 10 000 dias que nos deram mais um motivo para acreditar na verdadeira música: a interior.

Um álbum de se ter. Um álbum de se ouvir. Um álbum de se sentir.